Desde que assumiu a presidência do Palmeiras, o grande desafio Maurício Galiotte é fazer com que as partes que são fundamentais para o sucesso – político e financeiro - de seu mandato consigam falar a mesma língua – ou no mínimo se suportarem. São elas: o ex-presidente Paulo Nobre, o influente Mustafá Contursi e o casal José Roberto Lamacchia e Leila Pereira, donos do principal patrocinador do clube, que vem trocando ataques nos últimos dias.
Se Galiotte, que tem a fama de ser um conciliador, não conseguir essa pacificação ou trégua entre essas três partes terá sérios problemas para comandar o clube. E historicamente a política palmeirense sempre teve influência no que acontece nos gramados.
Começando com a relação com Paulo Nobre. O último presidente saiu como vencedor e a pessoa que fez com que o Palmeiras voltasse ao papel de protagonista do nosso futebol, além de importante vitória judicial com a construtora do novo estádio palmeirense e um novo acordo na venda dos direitos de TV.
Não podemos esquecer que Nobre foi quem bancou a candidatura de Galiotte e vai ser difícil, nos primeiros momentos, que o novo mandatário consiga descolar sua imagem da do ex-presidente, que dono de uma grande vaidade, apareceu muito durante seu mandato.
Galliotte sabe que um possível rompimento com Nobre- o que acho difícil – seria visto como grande traição. Também não vamos esquecer, que por mais que se declare palmeirense, Paulo Nobre deixa a direção, mas o clube segue com uma dívida financeira com o ex-presidente – sem dizer que Paulo Nobre pode ser uma opção quando o clube precisar de um capital de giro.
Uma boa relação com Mustafá Contursi é fundamental para que o presidente do Palmeiras possa ter tranqüilidade política. Contursi tem um influência muito grande sobre parte do conselho, principalmente os conselheiros mais antigos, e ainda tem contato com os associados que freqüentam a parte social do clube. Pelo que se comenta nas alamedas do clube, o velho dirigente não digeriu bem a absolvição do ex-presidente Arnaldo Tirone, que poderia ser suspenso do clube por um ano. Contursi voltou pela suspensão, assim como Galliotte, mas o velho cartola ficou descontente com correligionários, do atual presidente e de Paulo Nobre, que não votaram pela punição de Tirone.
Por fim, há a relação com o patrocinador, que traz aos cofres do clube aproximadamente R$ 80 milhões ao ano e cujo contrato está acabando no início de 2017–perder esse dinheiro será um grande golpe para o clube que pensa em ganhar a próxima Libertadores. Galiotte sempre fez a ponte entre o casal José Roberto Lamacchia e Leila Pereira e o Palmeiras, pois a relação de Nobre com o patrocinador nunca foi amistosa. Agora, além da parte financeira, há o interesse de Leila Pereira em fazer parte da política do clube.
E foi com Nobre freando uma possível candidatura de Leila Pereira para um cargo no conselho, que começou o conflito que Galiotti vai ter tentar pacificar e que já teve desmembramentos; com Contursi afirmando que Leila pode ser candidata e a empresária procurando membros da atual oposição, como Arnaldo Tirone, cuja absolvição não agradou Contursi...
Por fim, além de unir Nobre, Contursi e o patrocinador, Galiotte terá a missão de dar uma cara para sua administração, para não correr o risco de ser tratado como um dirigente que ficou refém de grupos políticos ou pessoas.
Nos primeiros dias de mandato, Maurício Galliotte tem a missão de fazer que o Palmeiras não tenha que enfrentar o seu pior inimigo: o próprio Palmeiras.